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Literatura para as infâncias
A curadoria literária e o percurso leitor das crianças

Na Escola Casa Verde, a literatura não é um complemento da aprendizagem, ela é um dos pilares da nossa proposta pedagógica.
Desde o colo dos bebês até as crianças mais experientes do Ensino Fundamental, acreditamos que o encontro com os livros constitui uma experiência essencial de formação humana. A literatura amplia a imaginação, organiza emoções, favorece a linguagem, desenvolve pensamento crítico e fortalece o sentimento de pertencimento ao mundo.
As listas de sugestões literárias enviadas às famílias fazem parte desse percurso e são resultado de uma curadoria pedagógica cuidadosa e fundamentada.


O que pensamos sobre literatura para as infâncias
Na Casa Verde, compreendemos a literatura infantil como arte, e não como instrumento didático.
Um bom livro para crianças não precisa ensinar uma moral explícita nem simplificar o mundo, pelo contrário, ele abre perguntas, provoca sensações e permite que cada criança construa sentidos próprios.
Por isso, priorizamos obras que:
- valorizam a linguagem poética;
- respeitam a inteligência da criança;
- apresentam qualidade ética, estética e artística;
- integram texto e imagem como narrativa;
- ampliam repertórios culturais;
- acolhem emoções complexas com delicadeza.
A literatura, para nós, é espaço de experiência e não apenas de aprendizagem formal.
A importância da estética, da ética e da poética
Um dos critérios centrais da curadoria é o cuidado com a experiência ética, estética e poética oferecida às crianças.

As crianças convivem com livros que apresentam:
- ilustrações autorais e não estereotipadas;
- múltiplas linguagens visuais;
- livros-imagem e narrativas silenciosas;
- textos poéticos e simbólicos;
- diferentes ritmos narrativos;
- abordagens que valorizam a diversidade humana, cultural e ambiental, promovendo respeito, empatia e reflexão.
Entendemos que a literatura para as infâncias não é um instrumento pedagógico, mas uma experiência artística e ética. Por meio das histórias, as crianças entram em contato com diferentes modos de existir, ampliam sua capacidade de imaginar o mundo e desenvolvem sensibilidade para o outro.
Acreditamos que o contato contínuo com obras artisticamente potentes forma leitores mais sensíveis, criativos, críticos e eticamente implicados com a vida coletiva.
Como as listas são construídas

As escolhas dialogam com múltiplas referências:
- estudos sobre desenvolvimento leitor e mediação literária;
- produções analisadas durante a especialização em livro para as infâncias;
- acompanhamento da crítica especializada;
- indicações da pesquisadora Cristiane Rogério;
- catálogos de editoras reconhecidas pela excelência literária;
- obras premiadas ou finalistas do Prêmio Jabuti e outros prêmios nacionais e internacionais;
- obras antirracistas e decolonial, na pesquisa de Ananda Luz;
- diversidade de autores brasileiros, latino-americanos e internacionais.
Isso garante equilíbrio entre tradição literária e produção contemporânea de qualidade.
Quem realiza essa curadoria

A seleção das obras é conduzida por Elaine Cristina de Almeida Sleiman, diretora pedagógica da escola:
- Escritora;
- Pedagoga pela UNIFAI/SP;
- Mestra em Educação pela PUC/GO;
- Especialista em Livros para as Infâncias – A Casa Tombada (SP);
- Pesquisadora da formação leitora e da mediação literária;
- Idealizadora do projeto de formação Conversas ao Pé do Livro.
A curadoria nasce da articulação entre experiência pedagógica, pesquisa acadêmica e acompanhamento constante da produção literária contemporânea.
Por que enviamos listas às famílias
As listas não são obrigatórias nem fechadas. Elas funcionam como mapas de leitura, ajudando as famílias a escolher obras alinhadas ao momento leitor da criança. Quando escola e família caminham juntas, o livro deixa de ser apenas objeto escolar e se torna experiência cotidiana.
Nosso compromisso
Acreditamos que toda criança tem direito ao encontro com a boa literatura.
Ao construir essas listas, buscamos oferecer não apenas livros adequados à idade, mas obras capazes de marcar a infância com beleza, pensamento e sensibilidade. Formar leitores é formar sujeitos capazes de imaginar outros mundos e, por isso mesmo, transformar o seu.
Como funciona a Ciranda Literária
A Ciranda Literária é uma das experiências centrais do nosso projeto de formação leitora. Ela transforma os livros em encontros, partilhas e memórias afetivas entre escola e família. Para que essa vivência aconteça, organizamos o seguinte percurso: A cada ano, as famílias recebem a lista de sugestões literárias correspondente ao grupo da criança. No primeiro semestre, cada família escolhe 3 títulos da lista. No segundo semestre, escolhe mais 3 títulos, ampliando o repertório leitor do grupo, na lista atualizada enviada no início do mês de julho. As famílias adquirem os livros escolhidos, identificam com o nome da criança e os enviam à escola. Todas as sextas-feiras, os livros são organizados em uma roda chamada Ciranda Literária.
Nesse momento:
- as crianças observam os livros disponíveis;
- escolhem livremente qual obra desejam levar para casa;
- tornam-se responsáveis pelo cuidado e circulação do livro.
O livro escolhido segue para casa para ser compartilhado com a família. A proposta da Ciranda é que a leitura aconteça como experiência afetiva:
- leitura compartilhada;
- conversas sobre a história;
- escuta das impressões da criança;
- tempo de presença entre adultos e crianças.
O livro permanece com a família até a quinta-feira seguinte, quando deve retornar à escola para continuar circulando entre os colegas. Os livros enviados pelas famílias passam a compor a Ciranda Literária da escola, ampliando o repertório de leitura de todas as crianças. Ao final do ano letivo:
- os livros permanecem na escola, integrando as Cirandas dos grupos do ano seguinte;
- dessa forma, construímos coletivamente um acervo vivo, que atravessa gerações de crianças da Casa Verde.
Caso alguma família prefira que o livro não componha o acervo coletivo, deverá comunicar a coordenação ao final do ano para realizar a retirada do exemplar. A Ciranda Literária ensina, na prática, que o livro é um bem cultural compartilhado. As crianças aprendem:
- cuidado com o objeto livro;
- responsabilidade coletiva;
- respeito ao tempo do outro;
- prazer pela leitura sem caráter avaliativo.
Mais do que formar leitores individuais, buscamos formar uma comunidade leitora, onde histórias circulam, criam vínculos e constroem memória.
O percurso leitor permite, em cada idade, um encontro diferente com o livro. As listas são organizadas respeitando o desenvolvimento das crianças e seus modos de ler o mundo. As listas que seguirão como anexo, sinalizam esse caminho de encontro entre a criança e a leitura.
Grupos Ninho e Sabiá (0 a 2 anos)
O leitor do corpo e do vínculo
Nesta fase, o livro é experiência sensorial e afetiva.
Priorizamos:
- livros cartonados e resistentes;
- imagens claras e expressivas;
- ritmo, repetição e musicalidade;
- livros que convidam ao toque e à observação.
Aqui, a leitura acontece no colo, é vínculo antes de ser linguagem verbal.
Grupo Curió (2 a 3 anos)
O leitor da descoberta
A criança começa a narrar e reconhecer padrões.
Os livros favorecem:
- humor e surpresa;
- repetições narrativas;
- identificação com personagens;
- ampliação do vocabulário simbólico.
A história passa a ser antecipada e recriada pela criança.
João-de-barro (4 a 5 anos)
O leitor imaginativo
A imaginação se expande intensamente.
Entram obras com:
- narrativas mais elaboradas;
- jogos entre realidade e fantasia;
- livros-imagem e metáforas visuais;
- histórias que acolhem medos e emoções.
Canarinho (5 a 6 anos)
O leitor simbólico
A criança já sustenta histórias mais longas e interpreta intenções dos personagens.
As escolhas incluem:
- narrativas poéticas;
- diversidade cultural;
- histórias que ampliam empatia e percepção do outro.
Pavãozinho (6 a 7 anos)
O leitor em transição para a autonomia
Com o início da alfabetização, o livro passa a apoiar o desejo de ler sozinho.
Priorizamos:
- textos acessíveis, mas literariamente consistentes;
- humor, aventura e imaginação;
- livros que fortalecem confiança leitora.
Bem-te-vi (7 a 8 anos)
O leitor em construção
A criança já acompanha enredos mais complexos.
Entram:
- capítulos curtos;
- narrativas com conflitos emocionais;
- histórias que ampliam repertório social e cultural
Arara Azul (8 a 9 anos)
O leitor interpretativo
O leitor começa a perceber metáforas e múltiplos sentidos.
As obras incluem:
- clássicos adaptados;
- narrativas mais densas;
- livros que convidam à reflexão.
Beija-flor (9 anos)
O leitor crítico em formação
A leitura passa a dialogar com identidade, ética e mundo social.
São escolhidas obras que abordam:
- pertencimento;
- memória;
- diversidade;
- aventura e fantasia com profundidade narrativa.
Aranquã (9 a 10 anos)
O leitor autônomo e reflexivo
Nesta etapa, a literatura amplia pensamento e consciência.
Entram livros que:
- apresentam maior complexidade temática;
- abordam questões humanas universais;
- fortalecem interpretação e posicionamento crítico.
💚 Sigamos juntos!


