Olá Famílias!
Sejam bem vindas a mais uma edição da nossa “Quintal em Revista”.
Nela, compartilhamos o pontapé inicial da nossa jornada ao longo deste novo ciclo. Os primeiros meses de aula foram momentos marcados pelo reencontro, pela alegria de estarmos novamente juntos e de retomarmos a rotina da melhor forma possível.

Receber novas crianças é, sem dúvida, uma das maiores alegrias e riquezas que podemos vivenciar aqui na escola. A construção de novos laços, o brilho nos olhos diante de cada descoberta e o entusiasmo de encontrar com quem caminhar, reforçam a certeza de que nossa jornada é coletiva. Nos reconhecer enquanto comunidade, é reforçar a sintonia de sermos uma só
casa.
Cada novo encontro amplia nossas possibilidades, fortalece nossa comunidade e alimenta em todos nós o desejo de seguir sonhando, aprendendo e construindo juntos. Que esta jornada seja marcada por encontros produtivos, cooperação e espírito de união, sempre orientados pelo compromisso com o desenvolvimento humano e integral de nossas crianças.

NA EDIÇÃO DO MÊS DE MARÇO:
Ser metade inteira | Apresentamos o Projeto Casa 2026: “Eu, o inteiro de uma parte”. Um convite à autorreflexão e ao autoconhecimento, reconhecendo a grandiosidade presente em cada um de nós.
O Fabuloso Baile de Carnaval | Fevereiro foi tempo de celebrar o Carnaval, a maior manifestação cultural do nosso país, em um encontro repleto de cores, música e alegria coletiva.
Nosso instante – As palavras que cultivamos | Um espaço para textos, músicas, poemas e histórias que nos inspiram a imaginar um mundo mais bonito. Uma estante de títulos que merecem ser lembrados.
Somos e ainda seremos | Um mergulho no universo da arte e na valorização de mulheres que deixaram marcas importantes na história e seguem inspirando novas gerações.
A escola pelo mundo | Nossa escola foi reconhecida como referência e passou a integrar um livro que reúne instituições com práticas pedagógicas inovadoras na atualidade.
Enquanto eu clicava | Um olhar sensível sobre o nosso quintal. O jornalista e fotógrafo Thiago Daher compartilha reflexões e registros delicados do cotidiano da escola.
Ser metade inteira
Projeto Casa de 2026: “Eu, o inteiro de uma parte”.


Cada uma é inteira em si mesma, nunca fragmento
Ao longo do ano, desenvolveremos temáticas e propostas de trabalho que dialogam diretamente com as nuances desse contexto, organizadas em eixos que nos ajudarão a construir um percurso sólido, sensível e diverso em relação ao projeto central.
No primeiro bimestre, trabalharemos o tema “Eu, sujeito de história”, resgatando identidades, memórias e genealogias.
Roda de conversa sobre nomes e sobrenomes.
Painel feito pelas crianças com fotos das famílias.
A interação fortaleceu o interesse pela própria história
No segundo bimestre, “Eu, sujeito de direitos”, refletindo sobre justiça, ética, respeito e cidadania.
No terceiro bimestre, “Eu, sujeito planetário”, ampliando o olhar para a diversidade humana e cultural.
E, no quarto bimestre, “Eu, sujeito de poesia”, trazendo à tona a importância da sensibilidade, da estética e das múltiplas formas de expressão.
Assim, ao longo do ano, caminharemos juntos na construção de um olhar mais consciente, sensível e respeitoso sobre si, sobre o outro e sobre o mundo.
Tradição cultural do nosso país
O Fabuloso Baile de Carnaval
Durante o mês de Fevereiro, tivemos a oportunidade de mergulhar na riquíssima tradição do Carnaval, uma manifestação cultural profundamente ligada à história e à identidade do nosso país.
A temática foi explorada em diferentes áreas do cotidiano escolar e, ao longo das atividades, pudemos observar a autonomia das crianças e suas descobertas diante de um momento que celebra a alegria, a criatividade e também a força cultural do povo brasileiro.

Produzimos nossas próprias decorações e instrumentos e nos dedicamos a construções coletivas, envolvendo as crianças em processos de criação conjunta. Nesse percurso, foi possível perceber como a interação, a partici pação e a liberdade de experimentar ampliam as possibilidades de aprendi zagem e expressão.
Depois de tantos preparativos, finalmente chegou o momento de nos reunirmos em nosso quintal para celebrar juntos. Recebemos familiares e amigos em um encontro cheio de alegria, no qual pudemos prestigiar as decorações produzidas pelas crianças e compartilhar um tempo de convivência.
Entre música, dança e boa comida, vivenciamos um momento especial de encontro e celebração, marcado principalmente pela verdade, pela espontaneidade e pela presença genuína de cada um de nós.

A importância da leitura compartilhada e a descoberta de novos mundos em cada história
Nosso instante – As palavras que cultivamos

Que nossas vidas e nossas casas estejam sempre repletas de boas palavras, aquelas que nos convidam a pensar de maneira sensível e criativa, ampliando nossos olhares sobre o mundo e sobre nós mesmos.
Inspirados na ideia de uma estante que guarda diferentes descobertas, reunimos aqui alguns livros, músicas e atividades que fizeram parte dos momentos vividos com as crianças.
Nossos encontros com os livros estão sempre em movimento, acompanhando a dinâmica do nosso espaço e das curiosidades que surgem no cotidiano.
Durante essas experiências, as crianças têm a oportunidade de se expressar, imaginar novos cenários e personagens e, ao mesmo tempo, construir sentidos para as histórias que escutam.
A leitura se torna, assim, um espaço de encontro, escuta e criação. Nesta edição da nossa revista, destacamos alguns títulos que marcaram nossos momentos de leitura compartilhada

Momento da leitura. Livro: “O Corpo de Borys”
O primeiro destaque é o livro “O corpo de Borys”, do ilustrador Spike Gerrell, apresentado pela professora Joceli, do Grupo Curió.
A obra, rica em imagens coloridas e dobraduras interativas, despertou nas crianças a curiosidade sobre as partes do corpo e estimulou a observação das diferenças entre cada um.

Como desdobramento da leitura, o grupo realizou uma atividade coletiva: utilizando materiais recicláveis, as crianças criaram um boneco.
O processo envolveu diálogo, cooperação e imaginação, culminando na escolha do nome do novo amigo da turma: Leleco. A experiência fortaleceu os vínculos entre o grupo e reforçou valores como o respeito, a escuta e a construção coletiva.

Reiterando a ideia central do nosso Projeto Casa, as crianças trabalharam a leitura e a análise do poema “Auto-retrato”, de Mário Quintana.
O texto nos mostra que a identidade é algo em constante construção. Ao tentar se retratar, o autor mistura lembranças, imaginação e mudanças, revelando que nunca somos algo fixo ou totalmente definido.

Ainda no universo da poesia, o poeta Manoel de Barros, ao escrever “Olhos Parados”, nos presenteia com um texto rico em detalhes, trazendo uma reflexão sobre a importância do agora.
Ao observar o mundo, lembrar das pessoas e sentir a natureza, conseguimos encontrar alegria e riqueza nas memórias, nas relações e na simplicidade de estar presente no momento.
Com os ouvidos atentos ao que as canções têm a nos contar, Milton Nascimento nos acompanhou durante vários momentos com a música “Bola de Meia, Bola de Gude” e nos fez lembrar a importância da simplicidade nas brincadeiras e em como os vínculos são essenciais na construção das nos sas memórias afetivas, mesmo durante as fases mais maduras da vida.

Obras da estante
A Menina e o Camaleão – Descoberta sobre mudanças e crescimento sem deixar de ser quem somos.
O Menino que Queria Ser Árvore – Aprendizado sobre pertencimento, natureza e a importância de criar raízes no mundo.
Cartas Para o Futuro – Sonhos, desejos e reflexões sobre quem queremosnos tornar ao longo da vida.
Tantos Medos e Outras Coragens – A coragem nasce justamente quando aprendemos a enfrentar e compreender nosso sentimentos.
A arte e a força das artistas mulheres que transformaram para sempre nossa percepção
Somos e ainda seremos

“Operários”, Tarsila do Amaral, 1933
A proposta de valorizar a própria imagem e fortalecer as diferenças nos convida a refletir sobre pessoas que foram reconhecidas por seus trabalhos, sua arte e pelas mensagens que deixaram no mundo. Ao valorizar suas trajetórias e legados, mantemos viva a humanidade de suas contribuições e damos continuidade aos princípios que sempre defenderam.

Nesse início de ano, tivemos a oportunidade de estudar um pouco mais sobre algumas artistas mulheres que fizeram história: Frida Kahlo, Anita Malfatti e Tarsila do Amaral. Essas artistas tiveram um papel muito importante na difusão da arte, especialmente por serem mulheres atuando em um meio historicamente do minado por homens.
Com identidades marcantes em seus traços, sentimentos e referências culturais, Frida, Anita e Tarsila conseguiram projetar suas imagens para além de suas obras. Foram e continuam sendo reconhecidas por suas traje tórias de resistência, criatividade e afirmação na história da arte.
Em atividades voltadas à interpretação e contemplação das obras das artistas, os alunos puderam expressar seus próprios olhares e traduzir artisticamente como perceberam e compreenderam essas produções.
O resultado foi um trabalho coletivo que abriu espaço para o diálogo, a colaboração e o respeito às diferentes formas de ver, sentir e criar.

Crianças mostram os resultados de seus trabalhos coletivos durante o estudo sobre as artistas.

A escola pelo mundo:
Rede Internacional de Escolas Criativas
A RIEC é uma rede de pesquisa e colaboração que reúne escolas, universidades, professores e pesquisadores interessados em desenvolver e compartilhar práticas pedagógicas inovadoras.
Surgida a partir de iniciativas acadêmicas, mantém articulação com instituições da Europa e da América Latina, especialmente com grupos vinculados à Universidade de Barcelona e a diversas universidades brasileiras.
Seu objetivo é investigar, reconhecer e divulgar experiências educacionais criativas, promovendo o intercâmbio entre instituições e incentivando projetos capazes de transformar o cotidiano escolar.
No dia 10 de março, a Escola Casa Verde, que integra o livro “Escolas Criativas de Referência: Rede Internacional de Escolas Criativas (RIEC)”, participou do lançamento da obra na Universidade Federal de Goiás.

O encontro reuniu educadores, pesquisadores, estudantes e representantes de instituições de ensino em um momento de diálogo e reflexão sobre caminhos possíveis para a educação.
Durante o evento, foram apresentados os princípios da RIEC, que busca conectar escolas e projetos comprometidos com uma formação mais humana, sensível e colaborativa.
O livro reúne relatos e pesquisas de instituições consideradas referências na rede, evidenciando práticas que integram conhecimento, cultura, criatividade e participação coletiva. A apresentação também destacou o processo de construção da obra e seu propósito de ampliar o diálogo entre educadores e inspirar novas perspectivas para a educação contemporânea.

Enquanto eu clicava
A fotografia tem o poder de transmitir sentimentos e em certas ocasiões até mesmo nos resgatar memórias adormecidas. A essência fotográfica mais pura vem de um lugar onde, através da imagem, somos pungidos, atin gidos por uma pequena ou imensa sensação.
O nosso quintal permite que todo mundo que passe por aqui tenha a oportunidade de deixar os sentidos se libertarem e absorver a forma como o ambiente que nos cerca tem a capacidade de moldar nossas emoções.

Esse ano, passamos a contar com a colaboração do Jornalista e Fotógrafo Thiago Daher na produção da nossa revista. Essa coluna traz um pouco do que ele teve a oportunidade de observar, registrar e então compartilhar conosco enquanto sentimentos que o rodearam durante as visitas que fez.

